sexta-feira, 28 de junho de 2013

Triste Menina



Triste Menina


A doce dócil menina.
Abandonada em seus lençóis brancos, imaculada.
Sente seu sonho ir vagarosamente para uma distância inalcançável.
Mãos dominam invisivelmente em uma força sobrenatural.
Seus pés estão parados na estrada.
A mente enlouquecida em muitos pensamentos.
Incapaz de manter a razão, ela grita em seu desespero solitário e infeliz.
Ela queria ir adiante.
Sentir aquele homem novamente.
Mas o grito era profundo.
Em uma negação de alma, sabia que devia olhar para o outro lado e tentar sorrir.
As cores se misturavam em um tom acinzentado com um pingo de vermelho.
Ela ainda estava viva!
De uma maneira frágil, mas num estado de guerra íntima.
O prazer a abandonou deixando indefesa.
Ela queria ser cuidada, amada.
Em um único abraço desejado e ele ainda estava no pensamento, ela sente a lágrima escorrer.
Não há mais os braços para abraçar.
Ele está nos sonhos.
Não cria forma, não tem atitude de amor.
É apenas um pensamento de amor. Não concretiza.
O coração dolorido vai contaminado o corpo e logo seu corpo está magro.
Não há mais o que esperar.
Todo seu corpo fez o esforço de proteger o amor e conquistá-lo novamente.
Mas em sua tristeza desesperada, as palavras desvendam uma irritação que é impossível esconder.
A máscara está totalmente translúcida e ela se sente nua.
Seu corpo está exposto.
E ele não a conheceu em sua plenitude.
Foi arrancada sua inocência e paixão.
Ela sorri mecanicamente, mas os olhos entregam a tristeza desta menina mulher.
Ela não quer o toque.
Assusta com o egoísmo entre palavras.
Ela olha além delas.
Ele não está nas palavras.
Ela vê.
Deixa tudo ir caminhando lentamente.
Abre novamente a mala, e começa a planejar a partida.
Ela quer o vermelho que pulsa ainda inexplicavelmente.
Se sente boba.
Chora.
Olha a estrada novamente e um vento refrescante brinca com seus cabelos finos e loiros.
Ela passa a mão no rosto, respira, olha para trás...
Nada vê.
As imagens que estavam no pensamento se embaralham com o vento.
Ela o coloca em suas lembranças.
Pega sua pequena mala e caminha com passos quase firmes.
Está apaixonada!
Vacila.
Lágrimas escorrem enquanto se distancia dele.
Sente a rejeição.
Volta em seu pequeno mundo de pensamentos.
Sente se triste, mas novamente se levanta.
Pega sua máscara feliz e continua em sua vida colorida...

Simone Leite Gava

3 comentários:

HAMILTON BRITO... disse...

Padrão Simone Gava de qualidade. Você, como ninguém, sabe juntar as letrinhas .Parabéns, amiga.
Fiz um comentário por email mas acho que ele ....mudou?

Antenor Rosalino disse...

Simone, as tuas letras sensórias e o teu talento literário fazem com que, cada circunstância da vida da triste menina seja um ato comovente para o coração de quem te lê. Parabéns, amiga, por mais esta preciosidade.

Marcos Passarelli disse...

Palavras...
sentidas vividas sofridas
Palavras...
com vida!
Abraços Simone! Um brilho de estrela em seu coração!
Sentimos sua falta quando da realização da Oficina de Papéis Artesanais!